Sunday, September 13, 2009

Uma foto de Sebastião Salgado fez o mundo conhecer o MST, quando a causa dele ainda se justificava.
Sebastião quis tirar uma foto da população em situação de rua em São Paulo, como é contado no documentário de Evaldo Mocarzel, "À Margem da Imagem".
Uma liderança religiosa não deixou, achando que a imagem seria explorada comercialmente.
Hoje, demagogos desassistem a população em situação de rua da cidade de São Paulo, expulsa do Centro, alegando que diminuiu ou que "melhorou de vida" e chegam a "ganhar 1000 reais por mês".
Sebastião não fotografou, conseqüentemente, não devem existir tais seres!
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,fotografo-andarilho-de-um-planeta-nao-revelado,433790,0.htm

Sunday, August 23, 2009

O AMOR (e o Sexo!) em Jornada nas Estrelas

McCoy, segundo DeForest Kelley no extra do DVD Trek IV, teria um episódio que contaria sobre seu divórcio e sua filha de 21 anos apareceria como enfermeira na Enterprise e Kirk flertaria com ela
O episódio foi cancelado
No filme ST 2009 de JJ Abrams, McCoy diz a Kirk que está juntando-se à Frota para fugir de uma ex-esposa
No livro adaptado do piloto de A Nova Geração, consta que McCoy visitava a filha e caiu ao pisar no brinquedo de um dos bisnetos, por isso andaria com dificuldade ao lado de Data ( e não por ter 137 anos!)

Cenas cortadas (que eu nunca vi) de Trek 6 mostrariam Kirk casado com a Dra. Carol Marcus (de Trek II). Pena! A atriz já faleceu.

Spock teria se casado na época da Nova Geração, após toda a confusão no Império Romulano do episódio Unification, com sua ex-pupila Saavik, em livro baseado na série (as lagostas encontram-se)
Com o filme de 2009, mostrando Spock perdido no passado após sua ida à Romulus, acho que esse casamento foi banido das possibilidades
Teve aquele lance de Tempo de Locura, o da Christine Chapel, etc.

Scott teve várias namoradas, entre as candidatas, Uhura

Sulu teve uma filha; em livros e quadrinhos, teve namoradas; na série, flertava com Uhura; favorito do público feminino da série por quase 4 décadas, no século 21, o ator revelou-se homossexual (gaydar not included)

Tchekov teve Irina (a atriz torna a se encontrar com o jovem Tchekov e com Walter Koenig em outro papel na série da internet New Voyages/Phase II)

Uhura menciona um antigo relacionamento num episódio da série original, O Sal da Terra

Christine Chapel virou médica no primeiro filme e mais não se soube

Na Nova Geração, Sarek aparece com uma segunda esposa; Amanda (Jane Wyatt) morreu na ficção quase duas décadas antes de na vida real

Da Ordenança Janice Rand, que retornou no primeiro filme e do Tenente Kyle, que retornou no segundo, nada se sabe

Angela Martinez, ia se casar no primeiro de seus episódios na série

Sobre a Nova Geração e seguintes, não só relacionavam-se como tinham filhos, talvez até traíssem (Voyager); a confusão se instalou

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Wednesday, August 01, 2007

"CIDADE LIMPA, SOCIEDADE SUJA"

Em sua coluna semanal aos domingos no jornal "Folha de São Paulo", de
08/07/2007, o empresário Antônio Ermírio de Moraes, presidente do conselho
de administração do grupo industrial Votorantim, teceu loas à chamada lei
"Cidade Limpa" sancionada e aplicada pelo atual prefeito da cidade de São
Paulo (SP), Gilberto Kassab (Partido dos Democratas).
Se tal lei e os elogios desmedidos destinados à ela visassem apenas a
adequação da propaganda externa no ambiente urbano, punindo excessos e
preservando construções históricas e espaços públicos, nada haveria para ser
observado ou acrescentado, porém, como nós, cidadãos conscientes já
esperávamos, os desdobramentos de tal lei e as atitudes de seus defensores,
não se limitariam meramente à, digamos, "estética arquitetônica" da grande
cidade.

Cessados os aplausos de Ermírio de Moraes à Lei "Cidade Limpa", prossegue
ele em sua coluna de 08/07/2007:

"(...) O que está faltando, agora, além da retirada das armações dos
anúncios, é uma ação educativa e REPRESSIVA aos pichadores e aos MORADORES
DE RUA que emporcalham as paredes dos prédios e que usam as praças e as ruas
da cidade como dormitórios, banheiros e lavanderias.
Há anos manifesto o meu inconformismo com a inaceitável sujeirada que
tomou conta da cidade. Será preciso fazer uma outra lei para corrigir esse
problema? NA LEI DO CIDADE LIMPA HÁ DISPOSITIVOS QUE SE REFEREM AO COMBATE À
POLUIÇÃO VISUAL, bem como à degradação ambiental. Quer mais degradação do
que o emporcalhamento da Biblioteca Municipal Mário de Andrade? OU GENTE QUE
DORME, URINA E LAVA ROUPA EM PLENA PRAÇA RAMOS DE AZEVEDO, NAS BARBAS DO
CARLOS GOMES?
(...)Não é possível continuar com esses maus exemplos.
O turista que vem a São Paulo fica com a impressão de ter chegado a um
planeta diferente, onde nada se entende do que é escrito nas paredes e tudo
se faz nas ruas e nas praças.
A cidade merece um tratamento condigno em vista do que já fez e continua
fazendo para o progresso econômico e social de São Paulo e do Brasil."

(as letras garrafais são minhas...)
Ou seja, a lei da "Cidade Limpa" sobrou para alguém!
Pobreza virou caso de polícia!

Quando, em seguida aos ataques terroristas de maio de 2006 na Capital de
São Paulo, que tanto nos transtornaram e indignaram, o então governador
Cláudio Lembo disse que "sou velhinho e velhinho fala o que bem quer" e que
"existe neste país uma elite branca perversa", achei que havia exagero nas
palavras daquele senhor.
Onde neste país de mulatos, caboclos/mamelucos e cafuzos se encontraria
esta espécie rara, obviamente em extinção, "uma elite branca perversa"?
Cláudio Lembo, como disse Fidel Castro a respeito de Khrushchev, é "mais
velho e mais sábio" que a maioria de nós, portanto devia ter lá suas razões,
como podemos constatar agora, pois parece que a dita espécie rara deu o ar
da sua "graça".
"O tempo é o senhor da razão", como se lia em anos idos a camisa de um
"emergente"! e sobrevivente da política...
Outra constatação óbvia é que "o Antônio Ermírio de Moraes é velhinho
também, e velhinho fala (ou tem, ou reserva-se o direito) o que bem quer."
De fato, Ermírio de Moraes há anos vem manifestando sua repulsa a certos
aspectos peculiares das vias públicas da cidade São Paulo, no que
concordamos todos: a rua não é moradia (como disse Barbara Gancia, não
existem "moradores de rua", portanto, a expressão é uma contradição em
termos), banheiro, ou lavanderia.
Só parece esquecer-se o também "velhinho" Ermírio de Moraes que, com ou
sem educação (ou repressão) social e cívica, a obrigação de zelar pelas vias
públicas é da prefeitura do município, mais sujas ou menos sujas, havendo ou
não infração ou falta de educação.
Seria interessante conhecer as idéias do ancião em questão, grande
contribuinte de impostos, à omissão das autoridades municipais que ele tanto
louva.
Ignora também o senhor Ermírio de Moraes, não obstante seja empresário do
setor de material para construção, que o Brasil e (principalmente) a cidade
de São Paulo tem imenso deficit habitacional: falta moradia (entre outras
coisas) e quem tem condições de arcar com a moradia, dificilmente é
proprietário ou pode adquirir uma, por mais modesta que seja.
Anos atrás, o Bank of Boston, parceiro do grupo Votorantim numa entidade
chamada "Associação Viva o Centro", patrocinou a publicação de um trabalho
descritivo das atividades da Fundação Projeto Travessia (entidade, por sinal
considerada como tendo "desempenho pífio", pelas autoridades municipais,
perdendo o convênio que com elas mantinha), intitulado "Histórias Reais",
sobre o trabalho voltado para crianças e adolescentes em situação de rua.
O que mais me impressionou naquele texto foi a declaração por um dos
participantes do projeto (que ilustra bem a realidade tanto de adultos como
de menores que "usam as praças e as ruas da cidade como dormitórios,
banheiros e lavanderias") de que "ninguém vai para a rua porque quer", uma
verdade, infelizmente, desconhecida e constantemente negada por muitos
profissionais de atendimento a essas pessoas.
O "vilão" nesta opereta de enredo barato é óbvio: o poder público,
notoriamente, a administração municipal e seus orgãos, que não provém
políticas sociais suficientes e nem sequer acolhida digna para os pobres (o
verdadeiro nome do segmento eufemisticamente chamado de "população em
situação de rua", "moradores de rua", "mendigos" e outros epítetos mais
ultrajantes ainda).
Novamente parece o senhor Ermírio de Moraes ignorar que, não por força de
caridade, mas por obrigação legal, a acolhida e garantia de políticas
sociais inclusivas é obrigação do poder público municipal, a quem ele
certamente tanto contribui assiduamente com seus impostos.
Ou se trataria de amnésia da parte do bom velhinho?
Se tal for o caso, felizmente, ele pode recorrer aos serviços médicos
exemplares do Hospital Beneficência Portuguesa, ao qual por tantos anos se
dedicou, e no qual teria travado contato com a realidade dos humildes, a
julgar por sua declaração de 2003 de que "o pobre não quer esmola (Fome
Zero, Bolsa-Família, etc.), o pobre quer emprego".
Não que a lucidez tenha desertado nosso ilustre ancião. Ele quase acerta
na descrição da realidade das pessoas que se encontram jogadas às vias
públicas ao palpitar sobre a impressão de um hipotético turista ( de
"primeiro mundo", decerto... mas que bobagem, o "segundo mundo" não existe
mais!) que andasse pelas ruas e praças "emporcalhadas" de nossa amada
Capital Bandeirante.
De fato, as pessoas carentes jogadas às ruas não estão num "planeta
diferente", mas vivem, isto sim, num mundo diferente do confortável,
estético e esterilizado mundo de Antônio Ermírio de Moraes. Um mundo
chamado "exclusão".
E vieram em sua maioria, de outro mundo também diferente do que habitam
agora. Um mundo chamado "inclusão". Alguns jamais tiveram o privilégio de
conhecer tal "planeta."
Sejamos claros, o que ocorre há anos aqui na cidade de São Paulo,
inclusive influenciando administração após administração, é que existe um
"lobby" influente (e George Soros pergunta-se por que os lobbies tem má
reputação no Brasil...) visando, em seus delírios, ou restaurar a São Paulo
de quase um século atrás (e que nossos "velhinhos" viram em sua saudosa
infância) ou adaptar a cidade atual aos padrões urbanos e estéticos das
grandes cidades "civilizadas" pelo mundo afora.
Ora, para concretizar-se este "projeto prioritário" ( isso num país de
"primeiro mundo" como o Brasil, onde a "modernidade" já leva quase duas
décadas nas costas) é preciso remover-se alguns obstaculozinhos, digamos,
"anti-estéticos", que não combinam com a paisagem desejada.
Em anos recentes, um "sub do sub do sub" local já havia manifestado suas
idéias para o centro de São Paulo ao suplemento local da revista "Veja":
"carroceiros e mendigos saem de cena".
A ignorância ou a amnésia, mesmo daqueles não tão "velhinhos" ainda,
parecem ser epidêmicas, talvez algo relacionado ao "jet-lag" experimentado
por nossas elites ao retornarem de viagens internacionais. Nossos cientistas
deveriam investigar isso...
Pois, ignoram ou esquecem-se esses senhores de que nas grandes cidades do
"primeiro mundo" (por que será que ele já foi considerado "primeiro", hein?)
ou de "países emergentes" (país emergente é aquele que está passando por
emergência?), ou mesmo em exemplos de revitalização urbana nem tão famosos
ou distantes (alguns gerenciados por aves da mesma plumagem das locais), os
projetos semelhantes passíveis de serem considerados "gentrificação",
"limpeza social" ou "higiene social" foram acompanhados de contrapartidas
sociais igualmente vultosas, ou seja, programas de inclusão diversos:
habitação, capacitação, educação, amparo social, renda, subsídios como
seguro desemprego, auxílio moradia (alguém aí lembra da famigerada
Bolsa-Aluguel?), etc. Essas medidas evitam que os humildes retornem às ruas
ou que ocorram novos processos de degradação urbana.
Não se tratam de realidades utópicas, futuristas ou coisas de ficção
científica. Recentemente, em editorial, o jornal "O Estado de São Paulo"
defendeu o retorno da Bolsa-Aluguel (que volta e meia recebe decisões
favoráveis da Justiça, mas nunca é paga pela prefeitura) como forma de
combater a favelização e o desabrigo dos munícipes.
Isto teria muito mais sentido do que jogar a culpa da degradação urbana
nos hoje impotentes e empobrecidos, muitos dos quais "tanto já fizeram pelo
progresso social e econõmico de São Paulo e do Brasil."
Afinal, foi a mesma elite que abandonou as antigas áreas nobres,
afastando-se da região central da cidade, e lançando-a num processo
previsível de favelização horizontal e vertical (a especulação imobiliária É
documento!).
Ou devemos continuar a nos degladiar numa luta de classes fratricida, até
a extinção das espécies "humanas e alienígenas" (ou serão "seláquios"
contra "maloqueiros") que habitam a mesma cidade?
H.G.Wells imaginou que a luta de classes, esta "senhora tão sedenta de
sangue", tantas vezes já declarada morta e enterrada, resultaria na
canibalização das elites pelo proletariado, mas ao que parece, graças às
novas tecnologias e aos modernos processos econômicos, atualmente as elites
dispensam a proximidade dos pobres, como se pudessem sozinhos manter ou
justificar suas riquezas.
Wells estava errado: agora são os Eloys, belos e delicados, que resolvem
praticar a "canibalização" social e urbana dos Morlocks, repulsivos e rudes!

Paulo Ivan Moreira Fonseca

Thursday, July 05, 2007

Diva Maria Prestes de Barros Araújo, foi médica, Vice-Prefeita e Vereadora de Sorocaba (SP).

De tradicional família sorocabana e casada com o também médico Oscar Egídio de Araújo Filho, teve uma história de vida de alguém que sempre teve uma vida política atuante em defesa da democracia, nos partidos políticos e movimentos sociais, sempre defendendo o diálogo, e jamais aderindo à práticas autoritárias, mesmo quando fazendo parte da situação.

Na época da ditadura, em 1975, ela presidiu na Câmara de São Paulo, o primeiro Encontro da Saúde da Mulher.

O casal se formou em medicina em 1974. Em 75, foram para a capital do Estado fazer residência médica na Santa Casa de São Paulo. Em 1977, Diva voltou para Sorocaba.

Sobrinha do Ex-Prefeito de Sorocaba Emerenciano Prestes de Barros, ela foi eleita Vereadora em 1982 pelo PMDB, sendo uma das duas primeiras mulheres eleitas para a Câmara Municipal de Sorocaba desde 1947, quando a precursora Salvadora Lopes foi eleita (votada dentre os candidatos apoiados por Luiz Carlos Prestes que concorriam pela legenda do PST devido à cassação do PCB, teve sua diplomação suspensa por decisão do Tribunal Superior Eleitoral um dia antes da data prevista para a posse).

Em 1983, Diva, por designação do então Governador André Franco Montoro, integrou na época o Conselho da Condição Feminina, recém-criado por ele. O trabalho de Diva junto a esse colegiado tornou possível realizar em Sorocaba, em 1985, numa parceria com a Delegacia Regional da Cultura de Sorocaba, um primeiro ciclo de debates sobre os direitos da mulher.


No ano de 1995, Diva foi convidada pelo então Deputado Estadual Renato Amary a ser candidata a Vice-Prefeita de Sorocaba pelo PSDB. Durante a primeira gestão Amary (1996-1999), ela assumiu várias vezes a Prefeitura.

Entre outras funções públicas e de saúde, como médica e administradora, atuou na Direção Regional de Saúde da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo em Sorocaba, no Conjunto Hospitalar de Sorocaba e na Vila Serenidade.

Faleceu a 08 de dezembro de 2005, aos 57 anos.

Na ocasião, o Prefeito Vitor LIppi (PSDB), que foi Secretário Municipal de Saúde de Sorocaba durante os dois mandatos de Renato Amary à frente da Prefeitura, inclusive quando Diva foi Vice-Prefeita, declarou:

"Trata-se de uma perda para a cidade, pois Diva tinha sensibilidade política e social, tendo destacada atuação na questão da saúde da mulher, e em muito colaborou para o desenvolvimento de Sorocaba de forma geral, seja como Vereadora ou Vice-Prefeita."

Em abril de 2007, o Prefeito Vitor Lippi apresentou à Câmara MUnicipal projeto de lei denominando "Diva Maria Prestes de Barros Araújo" o Centro de Referência de Saúde da Mulher de Sorocaba.

Wednesday, February 22, 2006

Olha só quem está falando...

Delfim Netto na Folha de São Paulo, em 08/02/2006

(...) Como foi possível isso (a crise econômica de 1930) ocorrer se a teoria econômica "garantia" o pleno emprego?
(...) A organização produtiva chamada de "capitalista" revelou desde cedo a "trindade maldita": 1) apesar de relativamente eficiente, o sistema deixado a si mesmo tem dificuldade de eliminar a pobreza; 2) o seu funcionamento altamente competitivo tem a tendência de acentuar as desigualdades entre os indivíduos e, 3)em determinados momentos, ele se ajusta mais fortemente, produzindo desemprego de caráter patológico.
Foi a constatação prática dessa "trindade" que inspirou as críticas, do ponto de vista moral, dos diversos "socialismos utópicos" e, do ponto de vista moral e prático, do "socialismo científico" de Marx e Engels. Marx, a partir de uma brilhante antropologia, propôs uma outra "explicação do mundo" e uma outra organização social da produção, que superaria a "trinadade maldita".
(...) Hoje sabemos que a teoria monetária e a política do FED, inspiradas na realidade dos anos 30, em lugar de minorar, provavelmente aprofundou a crise.
(...)Lembremo-nos de que a teoria econômica de então "garantia emprego a todos que pudessem e se dispusessem a trabalhar em troca do salário real de equilíbrio". Essa mesma "garantia" é dada hoje pela teoria neoclássica incorporada pela grande maioria de nossos atuais economistas. Aliás, um grande Prêmio Nobel (antes de se apaixonar pela teoria do desenvolvimento) dizia que todo desemprego é "voluntário", produto do ataque de "preguiça" que de tempos em tempos se abate sobre os trabalhadores... (...)

Tuesday, February 21, 2006

Fonte: Revista carta Capital, 15/02/2006

Câmbio

Um Projeto Fora de Época

CHEGOU AO CONGRESSO NACIONAL, na quarta-feira 8, um projeto que já nasceu polêmico. Com base em proposta da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), o texto prevê o fim da obrigatoriedade dos exportadores de trazer para o País os dólares originados de suas vendas no exterior, a chamada cobertura cambial.Atualmente, há um prazo de 210 dias para fazer a conversão em reais. O projeto propõe ainda que os exportadores possam ter contas em dólares nas instituições financeiras credenciadas pelo Banco Central. O assunto é sujeito a controvérsias porque mexe com um símbolo forte de riqueza, sinônimo de preservação de patrimônio. E também porque o Brasil tem uma memória recente de crise cambial e a mentalidade reinante ainda não é totalmente desdolarizada.

SEGUNDO O ECONOMISTA Ricardo Carneiro, da Unicamp, eliminar a cobertura cambial significaria incitar o capital produtivo do exportador a um comportamente semelhante ao do capital especulativo financeiro. Um perigo para o manejo da política cambial do País, ainda que o BC insista em desconhecer a existência do câmbio. Basta olhar os números. Em 2005, as exportações somaram US$ 118 bilhões, uma massa imensa de dinheiro que, se desgovernada por qualquer esboço de desconfiança, poderia provocar uma séria crise. Na Europa, exemplifica Carneiro, é trivial qualquer cidadão ter contas em dólares. Mas, nesse caso, trata-se de uma relação de igual para igual: moeda forte (euro ou libra, por exemplo) contra moeda forte. E perfeitamente conversíveis. Não é o status do Brasil. É impossível fazer câmbio de reais em praças financeiras que não sejam de alguns vizinhos latino-americanos.
De todo modo, o projeto leva jeito de que não irá adiante. As resistências são fortes entre parlamentares e o próprio governo. Mesmo porque sempre haveria o questionamento envolvendo a isonomia: por que os exportadores podem ter conta em dólar e o cidadão comum não?

Selecionado por:

Ricardo Gammal, Professor de Economia