Olha só quem está falando...
Delfim Netto na Folha de São Paulo, em 08/02/2006
(...) Como foi possível isso (a crise econômica de 1930) ocorrer se a teoria econômica "garantia" o pleno emprego?
(...) A organização produtiva chamada de "capitalista" revelou desde cedo a "trindade maldita": 1) apesar de relativamente eficiente, o sistema deixado a si mesmo tem dificuldade de eliminar a pobreza; 2) o seu funcionamento altamente competitivo tem a tendência de acentuar as desigualdades entre os indivíduos e, 3)em determinados momentos, ele se ajusta mais fortemente, produzindo desemprego de caráter patológico.
Foi a constatação prática dessa "trindade" que inspirou as críticas, do ponto de vista moral, dos diversos "socialismos utópicos" e, do ponto de vista moral e prático, do "socialismo científico" de Marx e Engels. Marx, a partir de uma brilhante antropologia, propôs uma outra "explicação do mundo" e uma outra organização social da produção, que superaria a "trinadade maldita".
(...) Hoje sabemos que a teoria monetária e a política do FED, inspiradas na realidade dos anos 30, em lugar de minorar, provavelmente aprofundou a crise.
(...)Lembremo-nos de que a teoria econômica de então "garantia emprego a todos que pudessem e se dispusessem a trabalhar em troca do salário real de equilíbrio". Essa mesma "garantia" é dada hoje pela teoria neoclássica incorporada pela grande maioria de nossos atuais economistas. Aliás, um grande Prêmio Nobel (antes de se apaixonar pela teoria do desenvolvimento) dizia que todo desemprego é "voluntário", produto do ataque de "preguiça" que de tempos em tempos se abate sobre os trabalhadores... (...)
Delfim Netto na Folha de São Paulo, em 08/02/2006
(...) Como foi possível isso (a crise econômica de 1930) ocorrer se a teoria econômica "garantia" o pleno emprego?
(...) A organização produtiva chamada de "capitalista" revelou desde cedo a "trindade maldita": 1) apesar de relativamente eficiente, o sistema deixado a si mesmo tem dificuldade de eliminar a pobreza; 2) o seu funcionamento altamente competitivo tem a tendência de acentuar as desigualdades entre os indivíduos e, 3)em determinados momentos, ele se ajusta mais fortemente, produzindo desemprego de caráter patológico.
Foi a constatação prática dessa "trindade" que inspirou as críticas, do ponto de vista moral, dos diversos "socialismos utópicos" e, do ponto de vista moral e prático, do "socialismo científico" de Marx e Engels. Marx, a partir de uma brilhante antropologia, propôs uma outra "explicação do mundo" e uma outra organização social da produção, que superaria a "trinadade maldita".
(...) Hoje sabemos que a teoria monetária e a política do FED, inspiradas na realidade dos anos 30, em lugar de minorar, provavelmente aprofundou a crise.
(...)Lembremo-nos de que a teoria econômica de então "garantia emprego a todos que pudessem e se dispusessem a trabalhar em troca do salário real de equilíbrio". Essa mesma "garantia" é dada hoje pela teoria neoclássica incorporada pela grande maioria de nossos atuais economistas. Aliás, um grande Prêmio Nobel (antes de se apaixonar pela teoria do desenvolvimento) dizia que todo desemprego é "voluntário", produto do ataque de "preguiça" que de tempos em tempos se abate sobre os trabalhadores... (...)

